Cooperativas de reciclagem e a pandemia de COVID-19

Como o trabalho dos catadores, indispensáveis para o processo de reciclagem, foi impactado pelo novo coronavírus

As cooperativas têm papel fundamental na cadeia de reciclagem. São elas que recebem os materiais, fazem a triagem e garantem a destinação adequada a cada um deles. Sem elas, não há como cumprir todo o ciclo de vida dos produtos. Somente entre 2017 e 2018, as cerca de 260 cooperativas acompanhadas pela Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (ANCAT) (1), trataram mais de 150 mil toneladas de resíduos.

Porém, a pandemia de COVID-19 interrompeu muito do trabalho dessas cooperativas. Sem poder trabalhar, elas se viram em uma situação bastante crítica.

“O impacto foi drástico, pois 95% da renda dessas associações provém da comercialização dos materiais recicláveis coletados. Não há outro trabalho”, explica Roberto Rocha, presidente da ANCAT, reforçando que nos últimos meses muitas cooperativas ficaram sem recursos para quitar suas obrigações financeiras legais. Para minimizar esse prejuízo, algumas ações foram iniciadas, como a “Campanha de Solidariedade aos Catadores do Brasil”, promovida pela Associação, para garantir segurança alimentar, proteção e bem-estar aos milhares de catadores que foram obrigados a parar de trabalhar nos últimos meses.

Hoje o cenário ainda não está normalizado. Algumas cooperativas voltaram a funcionar, outras seguem com suas atividades paralisadas. E, se é que podemos pensar em um lado positivo desse panorama, está no fato de que a paralisação poupou a saúde dos catadores. “Temos monitorado os casos de COVID-19 nas cooperativas e felizmente tivemos um número reduzido de cooperados contaminados. Um motivo de felicidade em meio a tanta notícia triste”, comenta Edy Merendino, secretário-executivo da Reciclar pelo Brasil, plataforma de investimentos em cooperativas que atua em todo o território nacional elaborada com co-criação da ANCAT. A associação, inclusive, relata que de abril até agora, nas 169 cooperativas apoiadas pela Reciclar pelo Brasil, foram diagnosticados apenas 105 catadores infectados.

Como nós, consumidores, podemos auxiliar as cooperativas para que retomem suas atividades com segurança e para que os cooperados mantenham sua fonte de renda? Além de contribuir com as diversas campanhas que estão ativas, precisamos continuar separando nossos resíduos em casa. Sem essa atitude – que não exige muito de nós –, as cooperativas não terão material suficiente para recuperar o prejuízo econômico dos últimos meses.

Não se esqueça:

  • Caso alguém da sua casa esteja com sintomas de gripe, separe os resíduos recicláveis e deixe-os armazenados em uma sacola fechada e isolada por pelo menos 72 horas antes de entregá-lo à coleta seletiva. Se a COVID-19 for confirmada em sua residência, essa medida ajudará a evitar a transmissão da doença.
  • Cuidado ao descartar o vidro. Se puder, proteja as embalagens ou os cacos dentro com uma sacola ou caixa de papelão antes de colocá-los no cesto de recicláveis. Assim, você preserva a segurança dos catadores e evita acidentes.
  • Utilize sacos de lixo resistentes para evitar que eles rasguem durante o transporte.

Hoje apelamos para muito mais do que a sustentabilidade do planeta. Separe. Não pare e contribua para que o trabalho e o sustento de todos esses profissionais não sejam comprometidos.

Referências:
(1) Anuário da Reciclagem – 2017 e 2018